home Opinião Sábado, 19 de maio: professores ignoram casamento (ir)real!

Sábado, 19 de maio: professores ignoram casamento (ir)real!

Coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira

Desfilaram pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, mais de 50 mil professores e educadores

Nos últimos dias, o povo tem andado anestesiado da vida real por um conjunto de notícias que não deveriam passar de notas de rodapé, daquelas que passam ao fundo dos ecrãs de televisão, enquanto decorrem outros programas. De entre elas, destacam-se o enredo novelístico do Sporting C. P. e um casamento que dizem ser de gente muito importante, mas que nada tem a ver com a vida do cidadão português. Por isso, não houve qualquer surpresa nas manchetes dos jornais generalistas nacionais de ontem, que deram especial destaque a novos episódios daquilo, como se não se tivesse passado nada mais no país.

Pois passou-se, senhores! No sábado, desfilaram pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, mais de 50 mil professores e educadores, denunciando muitas injustiças profissionais e muitos dos problemas que afetam a educação no nosso país. Fale-se do mundo real e não nos distraiam com o mundo de fadas, onde os casamentos são o contrário do que nos querem fazer crer: irreais! Mais, são um atentado à dignidade do cidadão comum, que tem de lutar no seu dia a dia para não soçobrar. Vergonha, pois!

Também no Funchal foram largas centenas (pelo menos 800 participantes) a mostrar que a realidade vivida pelos docentes está muito longe da que é relatada pelo poder político. Quem tiver dúvida dos números de adesão, pode, se estiver de boa-fé, esclarecê-los sem ajuda de terceiros: consulte os vídeos e as fotografias no facebook do SPM (não os do início da concentração, mas os da marcha até à Quinta Vigia) e faça umas contas simples: calcule a área da Avenida Zarco, entre a estátua de João Gonçalves Zarco e a Avenida do Mar e veja quantas pessoas são necessárias para a encher até rebentar pelas costuras. Sim, foi isso o que se passou. Isso é factual; o resto é conversa que serve outros interesses que não a verdade.

Com esta manifestação e marcha, os professores e os educadores da RAM não só recordaram os sérios problemas que os afetam como deixaram um sério aviso de que o tempo de espera acabou. Agora, ou se procuram soluções ou a luta vai intensificar-se, como prevê a Resolução aprovada, por unanimidade, em frente à residência do Presidente do Governo Regional. A greve às avaliações não é uma ameaça; é uma séria possibilidade. Porém, há muitas outras formas de luta em cima da mesa, pelo que quer o Governo Regional quer a Assembleia Legislativa Regional da RAM devem prestar muita atenção às reivindicações há muito apresentadas pelo SPM e não ficar à espera que os docentes se deixem levar por contos de fadas ou por novelas futebolísticas.

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