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Professores escondem rendimentos

Coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira

Não é, pois, de espantar que a classe docente esteja a ser atingida por uma autêntica praga de divórcios

17 de setembro de 2018, último dia para o início das atividades letivas. De um lado, a descrição idílica, apresentada pelos nossos governantes, de um paraíso genesíaco nunca vivido; do outro, a realidade, os problemas, as dores de mais um parto difícil: colocações tardias, mobilidades extemporâneas, professores dos quadros sujeitos a situações precárias, necessidades de recursos humanos não satisfeitas, projetos abandonados por falta de professores atirados para o desemprego, confusões e sobrecarga geradas pelas fusões e extinções decididas nos gabinetes dos burocratas. Muitos dramas vividos nas escolas e em casa.

Em casa; sim, em casa! Nunca um início de ano letivo abalou tanto a vida familiar dos professores, se bem que todas as suas famílias tenham sido obrigadas a habituar-se aos tumultos do regresso à escola. Porém, este ano, as ondas de choque foram equivalentes às de um sismo arrasador, com réplicas que deixarão marcas indeléveis para o futuro da sociedade portuguesa. Motivo: a publicação de um sapientíssimo relatório da OCDE, que veio desmascarar as vidas-sombras dos docentes. Então, não é que essa malta, que deveria ser insuspeita, andava a aldrabar as suas famílias e as Finanças quanto ao que recebiam ao fim do mês? Todos, sem exceção, escondiam chorudos rendimentos. Só uma parte do que recebiam entrava no orçamento familiar e era declarado em IRS. E a outra? Segundo investigações fidedignas de vários órgãos de comunicação internacional, relatadas nos Panama Papers, a outra era entregue a empresas sediadas em paraísos fiscais; depois, entrava em negócios sombrios, autênticas máquinas de lavar dinheiro, e, posteriormente, já purificada pelos melhores detergentes do mercado e multiplicada por vários milhares, era depositada em contas de bancos nacionais em nome dos docentes.

Grande esquema, este! Malandrecos!

Não é, pois, de espantar que a classe docente esteja a ser atingida por uma autêntica praga de divórcios. Pudera, como poderiam os cônjuges continuar a ter confiança em quem tinha uma vida dupla? Literalmente! Para muitos, foi a confirmação das suspeita de há muito: eram horas a fio pela noite dentro no computador ou a ler textos manuscritos, que diziam ser testes ou fichas dos alunos, mas que agora se vê que não era disso que se tratava; eram chegadas tardias para o jantar, justificadas com reuniões e mais reuniões, que, agora, está bom de ver, não passavam de encontros secretos; eram supostas idas para as escolas nos períodos de pausa letiva para avaliar, diziam, os alunos e os projetos ou planificar não se sabe o quê; eram fins de semana sem tempo para as famílias; eram desculpas em cima de desculpas.

Agora, tudo está explicado e, felizmente, a verdade veio ao de cima.

(Pena é que os valores referidos não passem de um dos tesourinhos da mais descarada aldrabice nacional, mas isso pouco interessa à opinião pública).

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