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SOS Escola Hoteleira

Coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira

Aquela que hoje é um farrapo social, já foi motivo de orgulho para a RAM

FRANCISCO OLIVEIRA /24 DEZ 2019 / 02:00 H.

É Natal, mas realidade continua cruel e impermeável ao espírito da quadra da Festa.

Por exemplo, a paciente Escola Hoteleira continua nos cuidados intensivos, com prognóstico muito reservado. Os cuidadores viram-se obrigados a colocá-la em como induzido, para poupá-la a qualquer percalço que possa ser-lhe fatal. Na verdade, já ninguém tem dúvidas de que o seu estado é tão grave que o mais otimista que se pode dizer é que corre sério risco de vida.

Aquela que hoje é um farrapo social, já foi motivo de orgulho para a RAM: os seus alunos eram cobiçados pelos melhores hotéis e restaurantes e era tida como uma referência na formação especializada a nível regional, nacional e, até, internacional.

Infelizmente, tudo se alterou há cerca de nove anos com a conivência do Governo Regional, que, ignorando as suas responsabilidades na defesa dos bens públicos, decidiu concessionar a gestão desta instituição única na região aos interesses privados, assente na ideia de que a iniciativa privada faz melhor do que a gestão pública, com a vantagem, pensavam eles, de que daria lucro. Não lhes restaram, pois, dúvidas de que se tratava de uma decisão acertadíssima.

Acertada, afinal, para quem?

Para a Região? Não, porque, em relação à Escola Hoteleira, os movimentos das contas públicas têm sido apenas num sentido: de saída de fundos para tapar os buracos financeiros que surgem de todos os lados;

Para os professores e restantes trabalhadores? Não, porque passaram, ano após ano, a viver na incerteza e a assistir à degradação das condições para exercerem a sua profissão com qualidade; viram aumentar a carga de trabalho e muitos passaram a receber os seus salários com atrasos.

Para os alunos? Nem pensar, porque viram a credibilidade do ensino desta escola descer a pique, pela opção por currículos desajustados e pela degradação física das condições de aprendizagem.

Terão ganho, ao menos, as infraestruturas?

Nem essas, já que se encontram em avançado estado de degradação.

Ganhou o concessionário?

O próprio diz que são só prejuízos. Se assim é, porque não negoceia a rescisão da concessão e devolve a césar o que é de césar? Abrir-se-ia, dessa forma, uma porta para salvar a paciente, que, como sabemos, está às portas da morte. Haja coragem para a salvar, que seja devolvida aos cuidados do Dr. Público; ele saberá administrar-lhe a terapia indicada; ele saberá devolver-lhe a vitalidade que tinha antes de definhar.

Por fim, um desafio à maneira de quebra-cabeças: como explicar a contradição entre o percurso académico da maioria dos nossos governantes em escolas e universidades públicas e o desprezo que têm pelo ensino público? Porque querem para os outros o que não quiseram para si?

É Natal … um novo ano está a chegar, mas, passada a quadra, a realidade continuará cruel!

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