home Notícias, PROF#ficaemcasa REGRESSO DA CRECHE E PRÉ-ESCOLAR PÓS-COVID

REGRESSO DA CRECHE E PRÉ-ESCOLAR PÓS-COVID

Estando iminente a reabertura das creches, jardins-de-infância e pré-escolar no continente, também os responsáveis pela Educação da RAM assumiram que ponderam reabrir, na região, estes estabelecimentos, a partir de 1 de junho.

Essas declarações têm provocado a mesma reação que pais, educadores, psicólogos e pessoal médico tiveram, no continente, perante as orientações do ME e da DGS, quase todas praticamente impossíveis de pôr em prática com crianças destas faixas etárias.

Certamente, estas medidas estarão, com toda a justiça, a ser tomadas para ajudar os pais, prestes a regressar aos locais de trabalho. Mas a que preço?

Este regresso, a acontecer, deverá, sempre, ser feito com a garantia de que nem as crianças nem os profissionais envolvidos correm riscos desnecessários, podendo, por isso, regressar confiantes e convictos de que estão em segurança. Só desta forma todos eles, mas de forma especial as crianças, conseguirão encarar este regresso de uma forma salutar e o menos traumática possível.
Muito haveria a dizer sobre este eventual regresso, mas fico-me por algumas considerações, que considero importantes:

Em primeiro lugar, preocupa-nos que as crianças tenham de fazer uma nova adaptação aos seus amigos, educadores e auxiliares. Principalmente as mais pequenas irão ter muita dificuldade em compreender porque são levadas para as salas por outros adultos de máscara e não pelos seus pais. Como irão compreender porque não podem brincar com os brinquedos a que estavam habituadas, nem com os amigos e, mais importante ainda, como poderão ser reconfortadas quando estiverem indispostas? Como poderão os adultos impedir que um bebé gatinhe pela sala, para explorar o espaço, a uma distância de 2 m das outras crianças?

Em segundo lugar, falemos dos educadores e auxiliares, que terão de se comportar segundo as normas de segurança que estão habituados a usar quando frequentam locais onde fazem compras ou obtêm algum serviço, mas não no seu local de trabalho, a que chamam segunda casa, e onde, por isso, têm de se sentir confortáveis para poderem dar toda a assistência e poderem realizar as atividades que têm planeadas para as crianças. Além disso, muitos dos educadores e auxiliares estão com idade avançada e com graves problemas de saúde, que os colocam em risco acrescido em caso de infeção pelo coronavírus e que, por direito, poderão não ir para as escolas. Outros há que também têm filhos menores de 12 anos, que não podem ficar em casa sozinhos e, para estes, também há que arranjar uma solução, tal como acontece com os filhos menores de muitos professores dos outros ciclos de ensino, se não lhes for permitido continuar em teletrabalho.

Acresce, ainda, a dificuldade que será os profissionais terem tempo para desinfetar constantemente brinquedos e materiais, estando, ao mesmo tempo, a assegurar a segurança das crianças.

Falemos, também, das condições de higiene e segurança das escolas e dos espaços onde estas crianças e adultos irão permanecer durante muitas horas do dia. Estes espaços terão de ser previamente higienizados, tal como está a ser feito nas escolas do continente, não pelo pessoal auxiliar, mas por entidades de reconhecida competência. Além disso, será necessário reforçar o pessoal auxiliar para respeitar as rotinas diárias de limpeza e desinfeção obrigatórias.

Por fim, gostávamos de ver esclarecido como irá ser feito o distanciamento social pretendido e respeitado o número máximo de pessoas por sala. O cumprimento dessas medidas implicará um número limitado de crianças por sala e, consequentemente, levará a que muitas salas dos Jardins de Infância e de Pré-Escolar sejam divididas, logo será preciso ter o pessoal indispensável a essa adaptação.

Assim, considero imprescindível que o Governo Regional e a Secretaria Regional da Educação, Ciência e Tecnologia tenham em conta estas preocupações. Qualquer decisão nesse sentido terá de ser bem ponderada para que não leve a um retrocesso no processo de luta contra esta pandemia que afeta toda a sociedade e que não escolhe idade, sexo ou condição social.

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