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Hiperatividade com défice de atenção: as crianças, as famílias, a escola

Coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira

muitos pais não estão a prestar

Na sua última edição (quinta-feira, dia 18), a revista Visão publicou a crónica “Hiperatividade e défice de atenção: um novo paradigma”, de Pedro Strecht, que não deveria deixar ninguém indiferente. Vale, por isso, a pena refletirmos sobre este problema a partir deste texto e sobre outros assuntos interligados, como a delegação de competências da família à escola na educação dos seus filhos.

Pedro Strecht começa por alertar para o aumento exponencial das crianças diagnosticadas com HADA e, consequentemente, para o início precoce do tratamento regular das mesmas com psicoestimulantes: “Em Portugal, só no ano passado foram vendidas mais de cinco milhões de embalagens desse grupo de psicofármacos destinados a menores de 15 de idade”, questionando-se “se todos estes rapazes e raparigas são verdadeiros hiperativos ou se apresentam realmente dificuldades de concentração”.

Julgo que todos sabemos que a resposta a esta pergunta é, claramente, negativa. Todos temos consciência de que o problema de muitas delas é de outra natureza. No entanto, classificá-las dessa forma permite encarar o problema como algo fatal, a que não se poderia ter fugido anteriormente, sendo, agora, necessário recorrer à medicina para contrariar a natureza. Este tipo de diagnóstico permite apaziguar consciências e esconder responsabilidades. No entanto, impede que se encontrem as verdadeiras razões do problema e se procurem soluções.

Onde residem, então, as causas dos comportamentos disfuncionais dessas crianças e desses adolescentes? Pedro Strecht enumera, sem surpresas, algumas delas: o ritmo de vida diário imposto aos mais novos; a multiplicidade de atividades a que têm de dar resposta; o pouco tempo de descanso; a falta de regras e de limites; a substituição dos desportos de grupo e do contacto com a natureza pelos “videojogos aditivos, agressivos e proporcionadores de excitação psicomotora”.

Não vale, pois, a pena descentrar a discussão, porque só assim se poderão atenuar as consequências: muitos pais não estão a prestar a atenção que deveriam aos seus filhos e procuram desculpar-se com fatores externos. Ora, infelizmente, a tendência para as famílias se desculparem dos seus falhanços em termos educativos e atribuírem as culpas a outros (sobretudo à escola) tem-se alastrado e ameaça tornar-se epidemia.

A escola nunca descartou as suas responsabilidades, mas a sua ação estará sempre limitada se as famílias não exercerem as funções que lhes competem no processo educativo.

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