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Dotar os jovens com ferramentas que permitam lidar com os desafios locais

Sob o tema “O papel da Educação no desenvolvimento local e fixação das populações”, teve lugar em São Vicente, a 30 de outubro, uma tertúlia do SPM (ver programa do Ciclo de Tertúlias). O evento contou com os convidados Duarte Mendes, Valter Correia e Rosa Castanho, conhecedores da realidade educativa e local. Francisco Oliveira, coordenador do sindicato, moderou a “conversa” na Estalagem do Mar (ver álbum fotográfico). Quatro dezenas de pessoas marcaram presença.

Rosa Castanho, vereadora da cultura e educação na autarquia da localidade, sublinhou a aposta na educação, «um pilar da sociedade», com várias medidas de apoio como o fornecimento de manuais desde o pré-escolar até ao 4.º ano, prémios de mérito e bolsas de estudo para o ensino superior. Acredita que a formação e qualificação das pessoas gera mais desenvolvimento. Contudo, a fixação das populações é algo mais vasto e influenciado por uma série de factores, além da educação.

Escola, o garante de oportunidades
A escola como o «grande promotor da igualdade de oportunidades», que ganha mais importância nas pequenas localidades. Foi com esta ideia que arrancou a intervenção de Valter Correia, professor e diretor da Escola Básica e Secundária do Porto Moniz, que considera importante a articulação entre as escolas e o poder local. De forma a «dotar os jovens com ferramentas que permitam lidar com os desafios locais» e «atuar no seu território», para o desenvolver e aí se fixarem.

E como concretizar tal objetivo? No âmbito da autonomia das escolas, sem mexer no currículo nacional, ter-se uma componente extracurricular para iniciativas no sentido de dotar os jovens com as referidas ferramentas para «intervir no seu espaço». Por exemplo, na área do turismo e na arte de bem acolher o turista, ainda dentro da escolaridade obrigatória. Na costa norte, faz sentido privilegiar modalidades desportivas, na escola, como o canyoning, mergulho ou BTT.

Outra nota de Valter Correia teve a ver com as diferentes escolas serem complementares nas suas ofertas de formação. E assim manter os alunos no ensino secundário nas localidades de origem.

Importância do investimento na Educação
Duarte Mendes, professor e ex-autarca, começou por dizer que a educação foi «sempre uma prioridade» em São Vicente, desde há muito tempo. Citou um estudo em que 59% das crianças frequentava a escola, em São Vicente em 1957, percentagem superior até ao concelho do Funchal. São Vicente chegou a ter 1.500 alunos e o Porto Moniz 840 alunos, muito distante do que acontece na atualidade.

Essa dinâmica deveu-se à visão de uma elite qualificada e sensível à importância do investimento na educação e na cultura. Nessa época, sobretudo a partir de 1944, em que houve um «esforço local para promover o ensino», a câmara municipal a tudo recorreu para instalar escolas, muitas em casas arrendadas, nas freguesias e sítios. E esse esforço «não parou». A abertura, em 1964, do Externato de São Vicente foi outro marco dessa dinâmica, sendo uma das primeiras escolas com ensino secundário fora do Funchal. A fixação da biblioteca Calouste Gulbenkian é outro resultado desse investimento na educação e na cultura.

O poder local tem um papel importante, no seu entender, na melhoria de instalações, apoio de eventos e no diálogo com os professores e encarregados de educação. Em São Vicente tem havido uma «feliz tradição» de apoiar as escolas e as crianças. Depois do município ter um parque escolar adequado, passou a investir noutras áreas do ensino: organização da feira das escolas, fornecimento de bens alimentares, transportes para atividades extra-curriculares, fornecimento de manuais escolares, presente de Natal, entre outros aspetos. E disse que os sítios morrem quando deixam de ter a sua escola.

Fixar as pessoas por via do emprego
E como «educação não é só escola», Duarte Mendes lembrou a criação do Dia do Professor, uma iniciativa que pretendeu «dar a mão» e «dignificar os professores». Provavelmente, São Vicente continua a ser o único concelho a ter uma escultura de homenagem ao professor. Mencionou-se o caso notável de uma docente de São Vicente, que trabalhou 44 anos na mesma escola e na mesma sala de aula.

Este professor mostrou reservas quanto ao poder da educação para fixar as pessoas na sua localidade de origem, já que isso depende mais da capacidade de se gerar postos de trabalho. E aqui entronca as ideias do professor Valter Correia, no sentido em que é preciso encontrar a forma de a educação contribuir para a criação de emprego. Nomeadamente, por via da referida «componente extra-curricular de incidência local», para as escolas estarem «ligadas à sua realidade» e as pessoas serem capazes de tomar a iniciativa e de criar o próprio emprego.

Referiu-se ainda que, no setor da educação, não se pode trabalhar só: é preciso a colaboração de outros setores da sociedade. Por outras palavras, é preciso vontade social e política. A questão basilar da empregabilidade, na costa norte, no entender de Valter Correia, passará pela criação de um subdestino turístico com identidade nessa zona. O que implica reunir as tais vontades de instituições e empresas.

Ciclo de tertúlias continua
Os eventos seguintes já estão programados: 2.ª Tertúlia: “A adaptação do currículo à realidade local” – Santana (15 janeiro); 3.ª Tertúlia: “Reflectir sobre a Educação Especial” – Zona Oeste (19 fevereiro); 4.ª Tertúlia: “A Cultura na Educação” – Machico (15 abril); 5.ª Tertúlia: “A importância da Educação nas regiões ultraperiféricas” – Porto Santo – (20 maio); 6.ª Tertúlia: “A Educação através das Artes” – Funchal – (8 julho).

É uma iniciativa do Centro de Formação do Sindicato dos Professores da Madeira (CF-SPM), que se insere no Ciclo de Tertúlias intitulado Debater a Educação, Perspetivar o Futuro, que percorrerá a Região Autónoma da Madeira (RAM), ao longo do ano letivo 2015/2016 – consultar o aqui o plano.

Este Ciclo de Tertúlias pretende alcançar vários objetivos: o contacto direto com a realidade por parte do SPM; uma maior proximidade aos docentes e à comunidade educativa de cada concelho; o debate sobre os caminhos pelos quais se fará avançar a educação no futuro, de acordo com as especificidades locais.

São escolhidos ambientes informais e descontraídos, nos quais, a par da troca de ideias, há também oportunidade de convívio.

Procura-se envolver as forças vivas e decisoras de cada concelho que tenham a amabilidade de se juntar aos educadores e aos professores, acolhendo os seus contributos para o setor da Educação e, consequentemente, para o progresso da RAM.

A participação neste Ciclo de Tertúlias é gratuita, aberta a sócios e não sócios do SPM, mas sujeita a inscrição prévia online, sendo atribuído, posteriormente, um Certificado de Presença.

Álbum fotográfico

 

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