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Ultraperiferia obriga a redobrada aposta na Educação

Realizou-se na passada sexta-feira, dia 13 de maio, a 5ª tertúlia do Ciclo que o SPM vem organizando por vários pontos da Região subordinada ao tema “A importância da educação nas regiões ultraperiféricas” (fotografia: Jackeline Vieira).

Foram convidadas quatro figuras locais de áreas bem distintas que, moderados por Francisco Oliveira, coordenador do SPM, partilharam, com base nas suas histórias de vida, as suas perspetivas pessoais sobre a temática proposta. Foram eles Bernardo Caldeira, deputado à Assembleia Legislativa da Madeira; Helena Ornelas, diretora da Escola EB1/PE do Porto Santo; Susana Freitas, presidente da Associação de Pais da Escola Básica e Secundário do Porto Santo; e Sofia Santos, empresária portossantense da área do turismo que, apesar do forte investimento que fez ao longo da sua carreira na formação, nunca abandonou a sua ilha. Entre os mais de trinta participantes, estiveram, ainda, presentes, várias figuras públicas da ilha, como o presidente da junta de freguesia.

Todos os intervenientes destacaram, claramente, a importância da educação para os cidadãos contemporâneos, mas reforçaram-na quando se trata de crianças e jovens que vivem e estudam em zonas distantes dos grandes centros, como acontece com o Porto Santo.

Escola será intervencionada

Apesar dos esforços do moderador para não se fugir da questão central em análise, vários participantes não deixaram de se referir às condições degradantes, sobejamente conhecidas,  das infraestruturas da Escola Básica e Secundária e da Escola EB1/PE do Porto Santo, tendo ficado claro, ao longo das cerca de duas horas do encontro, que este é um problema subjacente em qualquer discussão sobre Educação no Porto Santo.

Bernardo Caldeira, primeiro convidado a intervir, já estava à espera deste problema e da pressão posta sobre o governo regional, assumindo, desde o início, a defesa institucional, ainda antes de qualquer acusação ou desafio lançado pelos presentes. Começou, por isso, por ser um veículo do discurso governamental, afirmando que o poder político está atento aos problemas específicos do Porto Santo e que, graças à sua presença na Assembleia Legislativa Regional, a ilha dourada tem os seus interesses acautelados. Disse ter falado antes desta tertúlia com o presidente do governo regional, que lhe garantiu que o concurso para a construção da Escola Básica e Secundária avançará muito em breve e que o ouviu dar instruções claras para que os prazos do mesmo sejam os mínimos previstos na lei. No entanto, alertou para os problemas demográficos que atingem a ilha, de uma forma mais intensa do que em outros lugares do país; falou do excelente rácio professor/alunos na ilha e deixou entender que será previsível uma intervenção da tutela para rentabilizar os recursos públicos.

Valorizar a escola e o conhecimento

A diretora da Escola EB1/PE, Helena Ornelas, falou das novas realidades vivida nas escolas, do grande esforço que os professores têm feito para se adaptar às novas realidades e da abertura da sua escola à comunidade circundante, o que tem permitido novas experiências aos alunos e, consequentemente, novas formas de aprendizagem. No entanto, referiu, só com a valorização dos recursos humanos, pode a escola olhar para o exterior, «só com esta vertente devidamente entrosada, a escola se pode virar para o exterior, para a comunidade que a rodeia e com a qual deve contar e vice-versa», e para a importância da família, «no meio disto tudo, estão as famílias… Os pais! E um dos grandes desafios atuais colocado às escolas é saber gerir e encontrar um ponto de equilíbrio entre os pais que participam, que se interessam, que colaboram, que se fazem ouvir de uma forma correta e os que, infelizmente, continuam a olhar para a escola como um depósito».

Também Susana Freitas se referiu à importância dos pais na educação, embora a maioria se mostre muito arredada da escola e da participação nas atividades que a Associação de Pais tem promovido. Mostrou a sua preocupação com as condições materiais da escola secundária e, perante as promessas do deputado, afirmou que só vendo a obra avançar poderá acreditar que, desta vez, não são meras promessas eleitorais ou de circunstância. Disse, ainda, que está muito preocupada com o futuro dos alunos da ilha, porque «não há futuro no Porto Santo», e com as dificuldades que os pais da ilha se defrontam no seu dia-a-dia para oferecer condições favoráveis ao estudo e, sobretudo, com os enormes sacrifícios necessários para «aguentá-los fora do Porto Santo». Concluiu, afirmando que «é difícil ser mãe aqui».

Acessibilidades via Internet

Sofia Santos, por sua vez, referiu que quanto mais afastada está uma região dos centros de decisão e dos centros onde a formação é mais rica, mais importante se torna apostar na educação, apesar dos constrangimentos impostos pelo isolamento e pela distância. Lembrou o seu caso pessoal de empresária que, tendo apostado na permanência na ilha depois do secundário, não deixou nunca de se valorizar, continuamente, e de atualizar os seus conhecimentos. Sem isso, disse, não teria tido sucesso numa área onde a concorrência é intensa. A terminar, afirmou que, hoje, há muita formação de grande qualidade através de plataformas de e-learning geridas por instituições credíveis e há, igualmente, comunidades internacionais de partilha de conhecimentos especializadas em praticamente todas as áreas de conhecimento.

Seguiu-se um momento de debate acalorado, que se prolongou por mais de uma hora, onde ficou provado que o tema despertou o interesse dos participantes e onde se ouviram partilhas de experiências pessoais que não deixaram dúvidas quanto às enormes diferenças entre a educação do passado e a de hoje, porque «os dias são diferentes e a realidade é outra». Daqui se concluiu que são também, hoje, diferentes os desafios que se põem à escola em qualquer lugar: «a escola tem de ser mais humanizada» e é preciso «ajudar as crianças a gerir as enormes quantidades de informação que recebem a todo o momento».

No final, seguiu-se um convívio entre todos os participantes onde as trocas de ideias continuaram em pequenos grupos./FO

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(fotografia: Rui Marote/Funchal Notícias)
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