home Jackeline Vieira Fica em casa

Fica em casa

#𝗙𝗶𝗰𝗮 𝗲𝗺 𝗰𝗮𝘀𝗮#
Fica em casa por ti, mas sobretudo pelos outros. Existe neste gesto muito significado: o de salvaguardar um bem coletivo que é a saúde de todos.
Sem dúvida, fomos todos apanhados de surpresa (uns mais do que outros). No entanto, hoje, ninguém pode ignorar este cenário que, ainda há bem pouco tempo, era pouco provável. Infelizmente, que ninguém nos preparou para ele. Quem não viu, muitas vezes, na televisão, alguns especialistas desvalorizarem o grau de transmissão e de letalidade deste vírus, o Covid 19, que era, frequentemente, comparado à gripe sazonal, que mata, ao ano, 6000 portugueses? Por vezes, até parecia que insinuavam que os meios de comunicação eram os alarmistas. Não havia motivos para preocupação. Aquele vírus, diziam, não chegaria e, se chegasse, estávamos preparados.
Convém lembrar que o Covid-19 soube aproveitar a ausência de medidas de contenção à sua propagação, numa fase inicial, isto é, a falta de controlo nos aeroportos e a imposição de quarentena para quem chegava dos países afetados. Foi, por isso, muito fácil o coronavírus, com o seu visto gold, aproveitar a boleia de aviões, automóveis e barcos e começar a viajar pelo mundo; só precisava de um hospedeiro e isso era algo que não faltava.
No meio disto, descobrimos que em Portugal era proibida a quarentena imposta pelas autoridades sanitárias, portanto, teriam de ser sempre voluntárias, mesmo quando víamos o que acontecia na China e, depois, em muitos outros países. Nada nos preocupava, pelo que a falta de medidas continuava. Macau, por exemplo, em pouco tempo controlou a epidemia, mas aqui ficamos apenas a assistir ao desenrolar dos acontecimentos. A apatia inicial contrastou com o que seguiu:
•dia 11 de março, é declarada a PANDEMIA pela Organização Mundial de Saúde;
•dia 16 de março, as escolas encerram pela segurança de todos;
•dia 18 de março, é declarado o Estado de Emergência em Portugal.
Em virtude da gravidade do cenário, começamos a refugiarmo-nos em casa. Esta nova atitude fez-me lembrar o Homem das Cavernas, que, para se manter vivo, se fechava na caverna, apenas saía para caçar. Sem muito para se ocupar, aproveitou parte do tempo para fazer pinturas rupestres. Ao menos, quando estava dentro das cavernas, sentia-se seguro, estar vivo já era uma vitória. Hoje, pelo contrário, chegamos a casa e não sabemos se o inimigo veio de boleia connosco; o medo não tem fim, e ninguém está totalmente sossegado.
A história mostra que um dia foi possível sair da caverna! Hoje, as crianças assinalam o caminho, pintando um arco-íris de esperança.
Realmente ninguém estava preparado para, na sexta-feira, sair da escola e, na segunda-feira, começar em teletrabalho.
É indiscutível que os professores e educadores não desistiram face a todos obstáculos, que tentam, como sempre, dar o seu melhor, ainda que com o recurso ao seu material pessoal. São, por isso, um exemplo de sobrevivência, de resiliência e de reinvenção Não desistindo, mostram aos alunos que há sempre um caminho, mesmo que não seja o melhor, o mais fácil, o mais justo mostram que tudo é possível, dentro do possível. Virão, com certeza, tempos melhores.
Atualmente, é do contacto com os seus professores que os alunos precisam. Não se podem quebrar os laços afetivos entre professores e alunos, eles são bem mais importantes do que quaisquer trabalhos escolares Que ninguém pense que consegue dar o programa na totalidade à distância, já presencial era difícil.
Em virtude do cenário atual, muitos professores e educadores criaram grupos no whatsap, no messenger, no gmail, na escola virtual, uns mais formais e outros menos No entanto, o importante é que se criem rotinas e que se ajude os alunos a manter alguma da normalidade que lhes foi roubada.
Se o trabalho tiver de chegar através dos CTT, que chegue, ao menos aquele aluno saberá que a sua escola está preocupada que ele continue a aprender. Haverá tempo de recuperar parte do que foi perdido. Calma, pois!
Convém lembrar que tudo isto poderá demorar, mas que vai passar.Por enquanto, é preciso continuar a aprender, não tanto na extensão formal do currículo, mas com a nova realidade, porque fomos todos obrigados a aprender mais umas coisas ao longo desta semana. Tentemos adaptarmo-nos ao momento que vivemos, utilizando os instrumentos que possuímos e dando sempre o nosso melhor.
A escola como a conhecemos não voltará a existir, porque, tudo à nossa volta se alterou e não regressaremos com a visão de que fomos forçados a sair.

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