home PROF#ficaemcasa 𝗧𝗲𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼

𝗧𝗲𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼

No momento em que leem estas breves palavras, a minha família e eu estamos a cumprir o 19.º dia de isolamento social. Uau! Quem diria que seríamos capazes de estar uma quinzena consecutiva em casa, sem sair! Acabaram os despertares apressados, as frases gastas e viciadas “Despacha-te! Come! Traz a mochila! Vamos! Não nos podemos atrasar!!”.

Tudo mudou! Para melhor, dirão os aderentes às correntes românticas da pandemia, que disseminam mensagens que a quarentena será uma experiência de amor, de (re)estabelecimento de laços e vínculos familiares, de introspeção pessoal. No reverso da moeda, existe um outro lado, bem mais profundo e negro. Um cenário que antecipa uma fatura elevada, nomeadamente a nível económico e social.

Para já, o meu maior desafio é, na verdade, estar em casa! Sim, no conforto da minha casa, com a minha família! Não, não estou a ser egoísta nem irónica, pois considero-me uma privilegiada.

No entanto, em qualquer situação que enfrentemos na vida, em modo de isolamento ou não, existem fragilidades e potencialidades. Voltemos à rotina, agora em câmara lenta e sem relógios ou horários rígidos, que impõem a nossa presença em determinados locais, a uma hora pré-definida. Entre as tarefas de gestão do lar, as brincadeiras mais criativas e com mais disponibilidade física e mental, as tarefas escolares e afins, encontram-se as responsabilidades profissionais que não param. Sim esse mesmo, o tão falado nos últimos dias teletrabalho.

No dia em que foram suspensas as atividades letivas, enviei emails, cancelei reuniões e relembrei aos estudantes as decisões tomadas superiormente e, mais tarde, informei-os em relação ao desenvolvimento das unidades curriculares que leciono, isto é, como seriam as aulas não presenciais. Nesse dia, confesso, organizei as tarefas até dia 9 de abril, data em que foi apontada uma nova avaliação da situação pandémica, e segura que após a interrupção da Páscoa, seria possível retomar e recalendarizar as atividades. Hoje, não sei se assim será!

O maior desafio que há pouco vos falava tem sido conciliar o teletrabalho (em substituição das aulas presenciais) e todas as atribuições profissionais com três crianças em casa. Todas estas responsabilidades têm funcionado como um autêntico semáforo. Em alguns momentos matinais e/ou noturnos, coincidentes com o sono das crianças, ele está verde e a via aberta para pôr em dia as mais variadas solicitações. Noutros momentos, a maior parte, está intermitente, ou seja, consigo me sentar à frente do ecrã do computador e tentar me concentrar nas tarefas de um modo pisca-pisca, agora sim, agora não. São inúmeras as chamadas que interrompem, relembrando necessidades prementes: fisiológicas, de atenção, de mediação de conflitos, de compensação do aborrecimento, de chamada de atenção e de promessa de consequências……. Outras horas, o sinal está mesmo vermelho! Esta cor é ditada por variadas imposições e até mesmo pela necessidade de parar e descansar ou por falta de motivação, porque esta coisa de não poder socializar tem o condão de nos toldar a mente!

Olhemos o copo meio cheio! Havemos de superar e recuperar esta nação valente!

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