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Educação: o 25 de Abril das mentalidades

Por vezes, ouvimos que a Escola nada evoluiu nos dois últimos séculos. Discordo totalmente

A libertação de Portugal da ditadura foi a mola que catapultou o país para uma nova forma de vida, mais condizente com os modernos padrões e valores europeus. A liberdade e o respeito pelos direitos dos cidadãos arrancaram a sociedade portuguesa do obscurantismo e modernizaram-na. Nesse longo caminho, a educação teve um papel crucial, em todos os recantos do país e, de um modo especial, na Região Autónoma da Madeira. Merecem, pois, uma enorme homenagem todos aqueles que, ao longo dos últimos 48 anos, deram o seu contributo para uma outra libertação de Portugal: a libertação das mentalidades, do pensamento, da cultura, das artes.

Não foi nada fácil e continua a não ser, porque, ao contrário da libertação operada pelas Forças Armadas – a libertação política, que naquele dia ficou praticamente resolvida – a libertação do atavismo caraterístico das mentalidades forjadas ao longo dos cerca de 48 de ditadura não ficou decidida no mesmo dia. Como se sabe, as marcas imateriais das sociedades não se alteram de um dia para o outro. Por isso, 48 anos depois do parto libertador, continuamos o processo evolutivo na construção de uma sociedade mais justa, tolerante e ávida de conhecimento. É isso o que, diariamente, em todo o país, orienta o trabalho de cerca de 150 000 professores e educadores. São eles, em conjunto com milhares de profissionais de outras áreas, os continuadores daqueles que, no dia 25 de Abril de 1974, vislumbrando um Portugal desempoeirado e aberto, iniciaram a libertação do espírito português.

Por vezes, ouvimos que a Escola nada evoluiu nos dois últimos séculos. Discordo totalmente. Se é certo que, até ao final da ditadura, na sua essência, se mantinha idêntica aos seus primórdios, com a Revolução dos Cravos, sofreu uma verdadeira revolução, de que nem sempre demos conta, porque não foi instantânea, momentânea; antes, como já disse, se fez/faz em processo contínuo e inacabado. Na verdade, se, em termos políticos, parece termos uma democracia consolidada, o mesmo não se pode dizer das mentalidades, como temos constatado, ultimamente, em termos de intolerância e de desrespeito pelos direitos humanos. São disso prova o crescimento de movimentos contrários aos valores das sociedades modernas e abertas, o que, a médio prazo, poderá ameaçar a consistência da estabilidade política. Curioso, mas simultaneamente muito preocupante, que a libertação política alcançada com o 25 de Abril e, posteriormente, consolidada, se veja ameaçada pela insuficiente libertação das mentalidades.

Daqui se conclui que continua a ser fundamental apostar numa educação das novas gerações assente nos valores que inflamavam os corações dos portugueses no 25 de Abril de 1974.

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