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Um mal necessário

apelamos à Secretaria de Educação que encerre todas as escolas, evitando os contágios

Há um ano, não faltava quem achasse que as novas tecnologias iriam revolucionar a educação e, eventualmente, provocar o desemprego de milhares de professores em todo o mundo. Os mais otimistas nas potencialidades das novas ferramentas educativas e, simultaneamente, os mais radicais, iam, até muito mais longe, apregoando que os professores seriam uma classe profissional em vias de extinção, já que, no futuro, seria possível formar os cidadãos, exclusivamente, através das tecnologias de informação.

Bastou o período experimental entre março e junho de 2020, imposto pela pandemia da Covid-19, para atirar este otimismo para o caixote do lixo. Afinal, o ensino tradicional, cheio de problemas e insuficiências, ainda surge como a melhor forma de promoção do processo ensino-aprendizagem. Não lhe faltam problemas, é certo, mas, neste momento, não há melhor. Talvez, no futuro, venha a ser diferente, mas, por agora, é, de longe, a melhor forma de educar as gerações jovens e de as preparar para a vida.

Ainda assim, o ensino à distância tornou-se, no atual contexto, um mal necessário. No início deste ano letivo 2020-2021, ou seja, em setembro de 2020, poucos seriam os professores e os educadores que desejavam o regresso ao ensino à distância, mas os números da pandemia, após a pausa de Natal, fê-los aceitar o que não desejavam e o que, baseado nas estimativas das autoridades nacionais e regionais, julgavam não voltar a ser necessário: o recurso às novas tecnologias para suprir os riscos da manutenção do regime educativo presencial. Também o SPM insistiu, até ao limite, nas incomparáveis vantagens do ensino presencial. Todavia, tudo se alterou depois das festas natalícias. Tornou-se fundamental optar entre a vida dos cidadãos de todas as idades e a educação das novas gerações. Perante tal dilema, não tivemos dúvidas: a vida é um valor que se sobrepõe aos demais, tanto mais que, perdida, nunca mais é recuperável, enquanto as perdas da educação, como processo dinâmico que é, nunca são irreversíveis.

Foi com base neste princípio que o SPM defendeu, e continua a defender, o encerramento de todas as escolas, consciente de que, quanto mais alargado for o atual confinamento, mais rápido será a reversão dos números inaceitáveis da destruição pandémica. Estamos, por isso, convencidos de que, dessa forma, será possível voltarmos mais rapidamente ao ensino presencial. O mal maior do presente será, nas contas finais, um mal bem mais diminuto, o que constituirá um ganho global.

Com esta convicção, apelamos à Secretaria de Educação (SRECT) que encerre todas as escolas, evitando os contágios que, paulatinamente, mas consistentemente, se alastram. Por outro lado, ao contrário do que tem sido a posição oficial, damos voz às preocupações das direções das escolas e dos professores, em particular: são necessárias orientações da SRECT sobre os procedimentos a adotar em termos de avaliação e de apoio aos alunos e crianças mais carenciados.

A coordenação é essencial, sobretudo em momentos de crise.

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